10/18/2013

O Supermercado - Onde tudo começou


Comecei a contar à Nath a descoberta que eu havia feito.

- Na segunda, quando eu estava na escola, minha lapiseira quebrou e eu não tinha nenhum lápis...

Friamente ela só levantou as sobrancelhas esperando eu terminar a minha história.

- Tive que fazer todas as minhas anotações à caneta. E percebi que eu não poderia apagar quando errasse, nessa hora eu vi que realmente precisa da minha lapiseira. 

Ela respondeu: 
- Agora que você descobriu, que não da pra apagar caneta? Ta tirando onda comigo né mel?

Respondi:

- Ai Nah, você é chata pra caramba! Você é minha irma mais velha, tem que ser minha confidente. Me deixa terminar, irritante!

-Termina Melissa!

O caminho ja estava terminando e eu ainda não tinha concluído o que comecei. Prossegui.

- Tentei usar outra lapiseira, mas o grafite ficava entrando de volta para a lapiseira e eu não consegui escrever direito. -Vou terminar antes que ela me espanque.- Vi que mesmo parecendo insignificante, eu precisava da minha lapiseira, vi que as coisas que mais precisamos estão ao nosso lado e só vemos o quanto eram importantes quando elas vão embora ou quebram, nesse caso.

- É...

- Sério que você só vai falar isso Nathalia. Deixa de ser morfética menina! To aqui filosofando e você só me disse um simples e frio “É” ? Esquece!

 - Eu estou cansada.  Acordei muito cedo. A faculdade esta me consumindo. 

Fiquei morrendo de pena da Nah e vi que fui muito cruel com ela mas não pedi desculpa pois de uma forma foi um desabafo. Apenas fui sincera. Mudei de assunto.

- E o Estevão ?

- Esta vivo.

- Nossa! Você é puro amor Nathalia.

Sorrir para ela, ela fez cara de deboche. Sorrimos. 

Percebi que ja estava descendo do carro. Havíamos chegado ao mercado. Peguei o carrinho e fiquei do lado da Nah. Andamos. Começamos a pegar o que minha mamãe mandou anotar. Anotei no bloco de notas do celular. Quem nunca? 

- Ei! Nah! Vou pegar as minhas frutas. Ta?

Ela acenou com a cabeça dizendo sim. 

Andei. Peguei minhas frutas. Estava olhando os morangos, me virei e peguei a sacola plastica para pegar os morangos mas eles já vinham dentro de uma caixa plastica. 

- Nossa. Você é muito inteligente Melissa!

Coloquei a sacola no carrinho. Quando levantei a cabeça vi uma cara de costas que estava no mesmo corredor que eu porém distante. Ele com certeza era muito familiar, principalmente pelo corte de cabelo. Ele virou. Meu coração acelerou. Colei minha franja atrás da orelha. Virei de costas. Era o Guilherme. A gente já tinha se falado uma vez na escola quando ele me entregou a lista de exercícios de História. Ele disse:

- Mel?

- Oi?

- É uma folha de exercícios. O professor que pediu pra te entregar. 

- Ah! Obrigada. Guilherme né?

- É sim, de nada.

Ele era muito cheiroso, ja tinha procurado ele no instagram mas não achei. 

Virei. Olhei para ele. Ele ainda não me viu. Ainda da tempo de virar o carrinho e sair do corredor. 

Não.

Fui andando, como quem não quer nada, na direção dele. Mas não sei se devo falar. Mas falar o que? Só: oi! E sorri?


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